CASO DOROTHY STANG
A versão da esposa
Um detalhe chama a atenção em toda a história: a forma com que a esposa vê a incriminação do marido.
Rosângela sempre desconfiou que a culpa atribuída a Regivaldo no crime era uma encenação. "Tudo não passa de fantasia criada por policiais e políticos que querem dar uma resposta à imprensa nacional e internacional", disse ela ao jornal O Liberal em 14/12/05. Na matéria, ela sustenta a inocência de Regivaldo.
Não foi a primeira vez que falou sobre o assunto em tom de denúncia. Em entrevista ao Diário do Pará (2/7/05), acusou o superintendente do Incra em Altamira, Bruno Cleto, de mandar invadir terras que supostamente seriam de Regivaldo.
Documento assinado pelo superintendente, em 2/6/2005, determina a 19 famílias que voltem a ocupar suas posses no lote nº 79 da Gleba Bacajá, "de onde foram expulsas por ordem do Sr. Regivaldo Pereira Galvão".
Primeiro: essas terras nunca foram de Regivaldo. Segundo: como ele poderia ter ordenado a expulsão das famílias, se desde abril de 2005 estava preso?
A esposa foi ainda mais fundo na trama. Descobriu que às vésperas da morte de Dorothy Stang, Bruno Kleper mandara publicar em jornais de Belém e Altamira a notícia que Regivaldo teria mandado expulsar famílias de lote próximo ao lote 55. Na verdade, Regivaldo Galvão não estava na cidade. Estava viajando com a família desde 24 de janeiro de 2005.
Foi essa a gleba vendida a Vitalmiro de Moura, e onde Dorothy Stang foi assassinada.
Mais surpreendente: a família Galvão viajava desde janeiro; estava fora de Altamira, é certo.
Rosângela dispõe de um arsenal de provas a sustentar tudo o que afirma. |