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CASO DOROTHY STANG
DOSSIÊ REGIVALDO PEREIRA GALVÃO

Uma questão de justiça

Apresentação

Um dos crimes que abalaram a opinião pública no ano de 2005 foi o assassinato da norte-americana Dorothy Mae Stang. A brutalidade com que tiraram a vida da freira despertou a atenção da imprensa no Brasil e na comunidade internacional. O fato por si - uma cidadã americana morta durante trabalho missionário e em luta pela preservação ambiental em áreas de assentamento - gera impacto, através de sua ampla divulgação nos veículos de comunicação.

Nove dias após o assassinato, três envolvidos na trama foram presos : Amair Feijoli da Cunha, Raifran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista. Um mês depois, era preso Vitalmiro Bastos Moura, o quarto supostamente envolvido no crime.

No intuito de acelerar as investigações , devido à repercussão do fato nos veículos de comunicação do Brasil e do mundo, a polícia, entidades e organizações não-governamentais cogitaram a existência de um grupo consorciado de fazendeiros interessados na morte da freira americana.

Surge então um quinto nome nas investigações para ilustrar a versão do suposto consórcio. Regivaldo Pereira Galvão, proprietário de fazendas nos municípios paraenses de Vitória do Xingu, Altamira e Placas, fora mencionado em um dos depoimentos tomados pela polícia e Ministério Público, indício tido como suficiente para que fosse decretada a prisão dele no dia 7 de abril de 2005.

O fato de um co-réu e suposto mandante do crime, Amair Feijoli da Cunha, citar, em seu quinto depoimento, irregular por ter sido em caráter extrajudicial, o nome de Regivaldo Galvão nas investigações da morte da norte-americana, modificou sobremaneira a vida de muitas pessoas. Do dia 5 de março de 2005 - data do depoimento de Feijoli à polícia e ao Ministério Público - até hoje, muita coisa mudou. Há um inocente preso e em vias de enfrentar um julgamento popular, sem que exista uma única prova capaz de incriminá-lo.

Esposa, os três filhos, amigos e funcionários de Regivaldo padecem silenciosamente. Um patrimônio familiar, moral e econômico está se desmoronando, pelos inúmeros transtornos causados com a prisão. Somente a fé da família, dos amigos e das pessoas de bem que conhecem Regivaldo Pereira Galvão, continua inabalável.

O País que tem a oitava economia do mundo ainda enfrenta graves problemas sociais. A concentração de renda é responsável diretamente pelos conflitos agrários ocorridos ao longo de séculos em quase todas as regiões do Brasil.

Na luta pela posse da terra no interior do Pará, encontram-se os posseiros amparados por movimentos organizados; mas há também os fazendeiros que desenvolvem projetos de manejo, pecuária e indústria agrícola, trazendo sustentabilidade econômica e social para a região, através da geração de emprego e renda. Regivaldo Pereira Galvão, um pecuarista bem sucedido, é cumpridor rigoroso de suas obrigações para com o Estado e gerador de centenas de emprego e renda para a região onde atua, como atestam os moradores do município de Altamira (PA), cidade onde está concentrada grande parte de seus negócios. O empresário agrícola nunca se envolveu em conflitos e todo o patrimônio adquirido ao longo dos anos é fruto do suor do seu trabalho.

Preso numa cela do Centro de Recuperação do Coqueiro, em Belém, Regivaldo Pereira Galvão, além de distante da família, dos amigos e de seus negócios, está recebendo chantagens de prisioneiros. Esposa e filhos vivem sob o terror de constantes ameaças de seqüestro.

Afora a citação extrajudicial de Amair Feijoli, o que "pesa" contra Regivaldo Galvão, em todo o processo judicial, são ilações de que ele teria motivos para não gostar da missionária. O trabalho obstinado de Dorothy Stang, por meio das ações do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS), decerto contrariava os interesses de pequenos produtores rurais, como pôde ser constatado em várias manifestações e reuniões realizadas no município de Anapu (PA). Mas em nenhuma dessas ocasiões esteve presente o empresário Regivaldo Pereira Galvão. Nunca houve, direta ou indiretamente, qualquer indício de desentendimento ou confronto entre Regivaldo e Dorothy Stang, em 19 anos de residência do primeiro no Pará.

O que mantém Regivaldo Pereira Galvão preso? O que pode levá-lo à condenação em Júri Popular? A resposta é simples. Há um depoimento desmentido pelo seu próprio autor na Justiça, além de orquestradas suposições, que na verdade, nunca existiram, sobre desentendimentos entre o pecuarista e a missionária.

A justiça haverá de ser feita com muito rigor e critério, e os verdadeiros autores do crime devem responder pelos seus atos. É o que esperam a Igreja, os familiares da vítima, a opinião pública, a mídia e as autoridades.

Regivaldo Pereira Galvão é mais uma inocente vítima de erro judiciário, caso seja condenado com base na fragilidade dos indícios. O pecuarista já teve a sua vida exaustivamente devassada, e contra ele os investigadores nada encontraram, simplesmente porque não existe nada. O clamor popular ante crime tão bárbaro é absolutamente justificável. O que não se justifica é um erro judiciário forjado, paradoxalmente, no anseio popular por justiça. Eis o fundamento e o objetivo deste documento. Que se faça justiça ao assassinato de Dorothy Stang. E que a justiça seja fruto da verdadeira verdade dos fatos.

Regivaldo é inocente!
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