CASO DOROTHY STANG
Violência: um fenômeno social
A violência não é um fenômeno novo no Brasil. Nos últimos anos, contudo, o problema, assumiu níveis alarmantes e mostra escalada crescente - à revelia das soluções e estratégias apresentadas pelo governo e sociedade.
O inchaço populacional das cidades, a expulsão do homem do campo, o desemprego, os altos índices de analfabetismo,- aliados a outros problemas de ordem social e econômica - têm sido fatores determinantes para realçar o quadro crítico da exclusão social.
Violência urbana e violência no meio rural. O Brasil é campeão mundial nessa modalidade - seja em trabalho escravo, prostituição infantil, grilagens de terras ou espancamento e assassinato de lideranças. É nesse caso que se insere Dorothy Stang, a missionária norte-americana morta em Anapu em fevereiro de 2005.
O Pará leva parcela considerável dessa vergonha nacional - senão a maior.
Dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra em Belém, em 16/2/05 - durante denúncia e análise das causas do crime contra Dorothy Stang - trouxeram números assustadores de assassinatos e ameaças de morte contra trabalhadores rurais, sindicalistas, lideranças e agentes da própria igreja.
De acordo com a entidade, de janeiro a setembro de 2004, em todo o País, houve registro de 53 assassinatos. No governo Lula, foram 125 os assassinatos no campo em todo o País.
Os índices do Pará são também sombrios. Em 2003, as mortes saltaram para 33, enquanto que dados parciais para o ano de 2004 apontam 12 mortes. Entre 1985 e 2003, 1.349 pessoas teriam sido mortas no campo, no Brasil.
Um dia após a morte de Dorothy Stang, foi encontrado em Anapu o corpo do agricultor Adalberto Xavier Leal, que, segundo foi informado, trabalhara para Amair Feijoli da Cunha . Segundo o que se sabe sobre o caso, o agricultor, que pertencia ao PDS liderado pela missionária, foi assassinado no quintal de sua casa, diante de toda a família.
Em 15/2, três dias depois, foi assassinado em Parauapebas Daniel Soares da Costa Filho, integrante do Sindicato de Trabalhadores Rurais do município.
Os acusados desses crimes, integrantes do próprio movimento que engajava as vítimas, foram presos, mas soltos posteriormente.
Nesse dia, mais duas mortes. Cláudio Matogrosso, assentado que participara de protestos contra a invasão de grileiros e o desmatamento ilegal, foi achado a 30 km do local onde Dorothy Stang foi morta. O cadáver de Olisvaldo Morais de Lima foi localizado em estrada de terra do assentamento Mandacari, no município de Pacajá, a 28 km da sede de Anapu.
Os criminosos foram adiante. Um corpo ainda não reclamado e identificado foi encontrado em uma fazenda, em Ipixuna, no oeste do Estado.
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